Logotipo Alcance Innovation Consulting
Estratégia 27 de Outubro de 2026 · 9 min de leitura

PINTEC: o que os dados do IBGE mostram sobre a inovação na indústria

Taxa de inovação, investimento em P&D, cooperação, obstáculos e diferenças entre setores segundo a Pesquisa de Inovação do IBGE.

Alcance Innovation Consulting
Alcance Innovation Consulting

Consultoria em Estratégia, Incentivos Fiscais e Financiamento da Inovação

A taxa de inovação da indústria brasileira foi de 64,4% em 2024, segundo a PINTEC Semestral 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 19 de março de 2026. O indicador mede a proporção de empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas que introduziram ao menos um produto ou processo de negócios novo ou melhorado no ano. Foi a terceira queda consecutiva e o menor valor da série, iniciada em 2021, quando a taxa era de 70,5%.

No mesmo período, os dispêndios das empresas em pesquisa e desenvolvimento (P&D) interno somaram R$ 39,9 bilhões em 2024, alta nominal de 4,4% em relação a 2023. A combinação indica um investimento em P&D crescente em valor e cada vez mais concentrado nas empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas, que responderam por 87,4% do total em 2024.

O que é a PINTEC?

A PINTEC (Pesquisa de Inovação) é a pesquisa oficial do IBGE sobre as atividades de inovação das empresas brasileiras. Segue as definições do Manual de Oslo, guia internacional da OCDE e do Eurostat, e é a principal fonte de dados comparáveis internacionalmente sobre inovação empresarial no Brasil. Atualmente existem duas versões da pesquisa:

  • PINTEC trienal: sete edições, de 2000 a 2017, e nova edição em coleta a partir de maio de 2026. Cobre empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas na indústria e em serviços selecionados, com questionário amplo. A nova edição é financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
  • PINTEC Semestral: sete ciclos com referência de 2021 a 2024, encerrada com a edição de 2024. Cobre empresas industriais (extrativas e de transformação) com 100 ou mais pessoas ocupadas, como estatística experimental, em parceria do IBGE com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

As taxas das duas versões não são diretamente comparáveis. A PINTEC trienal inclui empresas menores, que inovam com menor frequência, e a última edição divulgada registrou taxa de inovação de 33,6% para o período de 2015 a 2017. A PINTEC Semestral cobre apenas médias e grandes indústrias, que inovam com maior frequência.

Como evoluiu a taxa de inovação da indústria?

A taxa de inovação das indústrias com 100 ou mais pessoas ocupadas caiu em todos os anos da série semestral:

  • 2024: 64,4% (12,5% somente produto, 19,2% somente processo, 32,7% produto e processo).
  • 2023: 64,6% (13,6% somente produto, 16,6% somente processo, 34,4% produto e processo).
  • 2022: 68,1% (14,2% somente produto, 20,9% somente processo, 33,0% produto e processo).
  • 2021: 70,5% (12,7% somente produto, 20,0% somente processo, 37,8% produto e processo).

Em 2024, a inovação em processos de negócios (51,9% das empresas) superou a inovação em produtos (45,2%), padrão observado em toda a série. A taxa de inovação em produto foi a menor desde 2021, quando estava em 50,5%. A taxa cresce com o porte da empresa: 59,8% entre as indústrias com 100 a 249 pessoas ocupadas, 65,7% entre as de 250 a 499 e 75,4% entre as de 500 ou mais.

Que tipos de inovação as indústrias fazem?

Entre as categorias de inovação em processos de negócios, as mais frequentes em 2024 foram mudanças na organização do trabalho (31,8% das empresas), no processamento de informação e comunicação (29,3%) e nos métodos de produção de bens ou serviços (28,7%). Práticas de gestão ou relações externas (27,0%), marketing (26,1%), contabilidade e operações administrativas (19,2%) e logística (17,0%) completam o quadro.

Quanto ao grau de novidade da principal inovação de produto, 71,1% eram novas apenas para a própria empresa, 24,0% eram novas para o mercado nacional e 4,9% eram novas para o mercado mundial. A predominância de inovações novas para a empresa indica que a maior parte da atividade inovadora da indústria brasileira consiste na adoção e adaptação de tecnologias já existentes.

Quais setores mais inovam?

A taxa de inovação varia de forma expressiva entre as atividades industriais. Em 2024:

  • Fabricação de produtos químicos: 84,5%.
  • Máquinas, aparelhos e materiais elétricos: 82,1%.
  • Móveis: 77,1%.
  • Equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos: 76,8%.
  • Farmoquímicos e farmacêuticos: 76,6%.
  • Produtos de madeira: 42,6%.
  • Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos: 35,9%.
  • Produtos do fumo: 29,8%.

A diferença entre a atividade mais inovadora e a menos inovadora supera 50 pontos percentuais, o que mostra que a taxa média da indústria esconde realidades setoriais muito distintas.

Quanto a indústria investe em P&D?

Os dispêndios em P&D interno das indústrias inovadoras com 100 ou mais pessoas ocupadas somaram R$ 39,9 bilhões em 2024, contra R$ 38,3 bilhões em 2023 e R$ 36,9 bilhões em 2022. A indústria de transformação respondeu por 85,4% do total e as indústrias extrativas, por 14,6%.

Os principais indicadores de P&D da edição de 2024 são:

  • Empresas que realizam P&D: 32,9% do total das indústrias pesquisadas, e 51,1% das indústrias inovadoras.
  • Concentração por porte: as empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas responderam por 87,4% do dispêndio em P&D, e as de 100 a 249, por 4,8%.
  • Fontes de financiamento: 86% recursos próprios, 8% recursos públicos, 5% instituições privadas e 1% recursos do exterior.
  • Setores com maior participação no dispêndio: indústrias extrativas (14,6%), veículos automotores (13,6%), farmoquímicos e farmacêuticos (12,3%), coque e derivados de petróleo (11,9%) e alimentos (8,2%).
  • Intensidade: a edição anterior da pesquisa registrou que as indústrias com 100 ou mais pessoas ocupadas investiram 0,70% da receita líquida em P&D em 2023.

A participação das empresas que fazem P&D é maior nos setores farmoquímico e farmacêutico (71,9%), de produtos químicos (65,7%) e de equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (61,2%), e menor nos setores de produtos de madeira (5,8%) e de manutenção de máquinas (5,9%). O panorama do investimento nacional em P&D está em Investimento em P&D no Brasil: panorama e comparação internacional.

As indústrias cooperam para inovar?

A cooperação para inovar é mais frequente nas empresas maiores. Em 2024, mantiveram cooperação ativa com outras organizações 50,3% das indústrias inovadoras com 500 ou mais pessoas ocupadas, 30,1% das que têm de 250 a 499 e 24,5% das que têm de 100 a 249. A metalurgia foi o setor com maior percentual de empresas cooperando (47,8%).

Os fornecedores foram os parceiros mais frequentes (27,1% das empresas inovadoras), seguidos por clientes ou consumidores (23,1%), consultorias (21,5%), instituições de ciência, tecnologia e inovação (18,7%), outras empresas do mesmo grupo (13,8%), startups (7,7%) e concorrentes (4,0%). Os modelos de cooperação estão descritos em Inovação aberta: modelos e aplicação na indústria.

Quais são os obstáculos à inovação na indústria?

Em 2024, 47,8% das indústrias inovadoras relataram obstáculos às suas atividades de inovação, percentual que chega a 53,3% nas empresas de médio porte. Os obstáculos mais citados foram:

  1. Instabilidade econômica (44,5%).
  2. Capacidade limitada dos recursos internos (43,0%).
  3. Acirramento da concorrência (42,1%).
  4. Mudanças nas prioridades estratégicas (39,5%).
  5. Baixa atratividade da demanda (37,9%).
  6. Limitações tecnológicas externas (35,9%).
  7. Dificuldades em estabelecer parcerias (35,7%).

Entre as empresas sem atividades de inovação, 26,1% relataram dificuldades, lideradas também pela instabilidade econômica.

As indústrias usam apoio público para inovar?

Em 2024, 38,6% das indústrias inovadoras usaram algum instrumento de apoio público à inovação, contra 36,3% em 2023. O instrumento mais usado foi o incentivo fiscal à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, utilizado por 28,9% das empresas inovadoras, com participação de 46,4% entre as empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas e de 17,9% entre as de 100 a 249. Os demais instrumentos registrados pela pesquisa incluem financiamento para máquinas e equipamentos, financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, subvenção econômica e compras públicas.

O que esperar da próxima PINTEC?

Com o encerramento da PINTEC Semestral, o IBGE retoma a PINTEC trienal, oito anos após a última edição. Segundo a Revista Pesquisa FAPESP, a nova edição cobrirá os anos de 2023 a 2025, terá coleta a partir de maio de 2026 e resultados previstos para 2027. O universo volta a incluir empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas na indústria e em serviços selecionados, como telecomunicações, informática, arquitetura e engenharia e P&D, e o questionário incluirá temas como inovações ambientais, estratégias de inovação, tecnologias avançadas e propriedade intelectual.

Perguntas frequentes

O que é a PINTEC?

É a Pesquisa de Inovação do IBGE, que mede as atividades de inovação das empresas brasileiras segundo os conceitos do Manual de Oslo. Existe em duas versões: a trienal, com sete edições entre 2000 e 2017, e a semestral, de caráter experimental, com dados de 2021 a 2024.

Qual é a taxa de inovação da indústria brasileira?

Foi de 64,4% em 2024 entre as indústrias com 100 ou mais pessoas ocupadas, segundo a PINTEC Semestral divulgada em março de 2026. É o menor valor da série iniciada em 2021, quando a taxa era de 70,5%.

Quanto a indústria brasileira investe em P&D?

As indústrias inovadoras com 100 ou mais pessoas ocupadas investiram R$ 39,9 bilhões em P&D interno em 2024. As empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas responderam por 87,4% desse valor.

Qual setor industrial mais inova no Brasil?

A fabricação de produtos químicos, com taxa de inovação de 84,5% em 2024, seguida por máquinas, aparelhos e materiais elétricos (82,1%) e móveis (77,1%).

Quando sai a próxima PINTEC?

A nova PINTEC trienal, com referência de 2023 a 2025, teve coleta iniciada em maio de 2026, e a divulgação dos resultados está prevista para 2027.

Por que a PINTEC Semestral e a trienal têm taxas tão diferentes?

Porque cobrem universos distintos. A semestral pesquisa apenas indústrias com 100 ou mais pessoas ocupadas, que inovam com mais frequência; a trienal inclui empresas a partir de 10 pessoas ocupadas e alguns setores de serviços.

Fontes

Alcance Innovation Consulting

Alcance Innovation Consulting

Consultoria em Estratégia, Incentivos Fiscais e Financiamento da Inovação

Receba os próximos artigos direto no seu e-mail.

Conteúdos técnicos sobre Lei do Bem, financiamento, estratégia e gestão de PD&I.