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Estratégia 27 de Outubro de 2026 · 8 min de leitura

O que é inovação: conceito segundo o Manual de Oslo

A definição internacional de inovação adotada por institutos de estatística e por pesquisas como a PINTEC, e os tipos de inovação que ela reconhece.

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Inovação é um produto ou processo novo ou melhorado, ou uma combinação dos dois, que difere significativamente dos produtos ou processos anteriores de uma organização e que foi disponibilizado a usuários potenciais, no caso de produtos, ou colocado em uso pela própria organização, no caso de processos. Essa é a definição do Manual de Oslo 2018, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Eurostat, que é a referência internacional para conceituar e medir inovação.

A definição tem três elementos que delimitam o conceito. O primeiro é a novidade: a mudança precisa ser significativa em relação ao que a organização já fazia. O segundo é a implementação: uma ideia, um protótipo ou um projeto em andamento ainda não constituem inovação. O terceiro é a perspectiva da própria organização: a inovação precisa ser nova pelo menos para quem a adota, mesmo que já exista em outras empresas.

O que é o Manual de Oslo?

O Manual de Oslo é o guia internacional da OCDE e do Eurostat com as diretrizes para coletar, comunicar e usar dados sobre inovação. A primeira edição foi publicada em 1992 e o texto foi revisado em 1997, 2005 e 2018, ano da quarta edição, que é a versão vigente.

O manual padroniza o que conta como inovação para que pesquisas de países diferentes produzam dados comparáveis. Institutos de estatística o utilizam como base para as pesquisas nacionais de inovação; no Brasil, a Pesquisa de Inovação (PINTEC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segue os conceitos do manual. A tradução da quarta edição para o português está disponível no portal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Como o Manual de Oslo define inovação?

O manual trabalha com duas definições. A definição geral vale para qualquer tipo de organização, inclusive órgãos públicos e entidades sem fins lucrativos: inovação é um produto ou processo novo ou melhorado, ou uma combinação deles, que difere significativamente dos produtos ou processos anteriores da unidade e foi disponibilizado a usuários potenciais ou colocado em uso pela unidade.

A definição aplicada às empresas, chamada de inovação empresarial, segue a mesma estrutura. Inovação empresarial é um produto ou processo de negócios novo ou melhorado, ou uma combinação deles, que difere significativamente dos produtos ou processos de negócios anteriores da empresa e que foi introduzido no mercado ou colocado em uso pela empresa.

Dois pontos da definição costumam ser mal interpretados:

  • Implementação é obrigatória. Uma ideia, um protótipo ou um projeto em desenvolvimento ainda não são inovação. O produto precisa ter sido lançado no mercado e o processo precisa estar em operação.
  • Sucesso comercial é dispensado. O manual considera inovação um produto lançado que teve vendas abaixo do esperado, porque o objetivo de êxito orienta a inovação sem ser condição para que ela exista.

Quais são os tipos de inovação segundo o Manual de Oslo?

A edição de 2018 reconhece dois tipos de inovação empresarial: inovação de produto e inovação de processo de negócios. A edição de 2005 trabalhava com quatro tipos (produto, processo, organizacional e marketing); na edição atual, as mudanças de processo, de organização e de marketing passam a ser classificadas como inovação de processo de negócios.

Inovação de produto é um bem ou serviço novo ou melhorado que difere significativamente dos bens ou serviços anteriores da empresa e que foi introduzido no mercado. Inclui tanto produtos inteiramente novos quanto melhorias relevantes em funções, desempenho, facilidade de uso ou design de produtos existentes. Produtos digitais e serviços contam como produto.

Inovação de processo de negócios é um processo novo ou melhorado, aplicado a uma ou mais funções de negócios, que difere significativamente dos processos anteriores da empresa e que foi colocado em uso. O manual organiza essas funções em seis categorias:

  • Produção de bens e serviços: nova linha automatizada, novo método de fabricação, novo procedimento de prestação de serviço.
  • Distribuição e logística: novo sistema de roteirização, rastreamento de cargas, reorganização de armazenagem.
  • Marketing e vendas: novo canal de venda, novo método de precificação, nova estratégia de exposição de produtos.
  • Sistemas de informação e comunicação: implantação de sistema integrado de gestão, nova arquitetura de dados, migração para nuvem.
  • Administração e gestão: nova estrutura organizacional, novo modelo de tomada de decisão, novas práticas de gestão de pessoas.
  • Desenvolvimento de produtos e de processos de negócios: novo método de pesquisa e desenvolvimento, novo processo de prototipagem, nova rotina de gestão de projetos.

Uma mesma iniciativa pode combinar os dois tipos. O lançamento de um serviço digital, por exemplo, costuma exigir um novo processo de atendimento e um novo sistema de informação, além do serviço em si.

O que são atividades de inovação?

Atividades de inovação são todas as atividades de desenvolvimento, financeiras e comerciais realizadas por uma empresa com a intenção de resultar em uma inovação. O conceito é mais amplo que o de inovação, porque inclui atividades que ainda estão em andamento, que foram interrompidas ou que não chegaram a gerar um produto ou processo implementado.

O manual agrupa essas atividades em oito categorias:

  1. Pesquisa e desenvolvimento experimental (P&D).
  2. Engenharia, design e outros trabalhos criativos.
  3. Marketing e construção de marca.
  4. Atividades relacionadas à propriedade intelectual.
  5. Treinamento de pessoal.
  6. Desenvolvimento de software e de bases de dados.
  7. Aquisição ou arrendamento de ativos tangíveis, como máquinas e equipamentos.
  8. Gestão da inovação.

Essa classificação explica por que uma empresa pode ser inovadora sem ter um laboratório de pesquisa. Grande parte das inovações empresariais resulta de engenharia, desenvolvimento de software, aquisição de equipamentos e mudanças organizacionais.

Quais são os graus de novidade de uma inovação?

O Manual de Oslo classifica as inovações em três graus de novidade, conforme o alcance da mudança:

  • Nova para a empresa: a empresa adota um produto ou processo que já existe no mercado, mas que é novo para ela. É o requisito mínimo para que haja inovação.
  • Nova para o mercado: a empresa é a primeira a introduzir a inovação no mercado em que atua, definido pelo seu setor e pela sua área geográfica de atuação.
  • Nova para o mundo: a empresa é a primeira a introduzir a inovação em todos os mercados e setores, nacionais e internacionais.

A distinção tem consequência prática na leitura de estatísticas. A maior parte das inovações registradas nas pesquisas nacionais é nova apenas para a empresa e resulta da difusão de tecnologias já existentes, enquanto as inovações novas para o mundo são uma fração menor do total.

Qual é a diferença entre inovação e P&D?

Pesquisa e desenvolvimento (P&D) é uma entre as várias atividades que podem levar à inovação. O Manual de Frascati 2015, também da OCDE, define P&D como o trabalho criativo e sistemático realizado para ampliar o estoque de conhecimento e encontrar novas aplicações para o conhecimento disponível.

Para ser classificada como P&D, uma atividade precisa atender a cinco critérios simultâneos, segundo o Manual de Frascati: ser nova, criativa, incerta quanto ao resultado, sistemática e transferível ou reproduzível. A inovação, pela definição do Manual de Oslo, exige implementação e pode ocorrer sem nenhuma atividade de P&D, como na adoção de um equipamento ou de um método de gestão já disponível no mercado.

Os dois manuais são complementares: o de Frascati mede o esforço de geração de conhecimento, e o de Oslo mede a introdução de mudanças nos produtos e processos das organizações.

Perguntas frequentes

Qual é o conceito de inovação mais aceito?

O conceito de referência internacional é o do Manual de Oslo 2018, da OCDE e do Eurostat: inovação é um produto ou processo novo ou melhorado, que difere significativamente do que a organização fazia antes e que foi lançado no mercado ou colocado em uso. Pesquisas oficiais de inovação, como a PINTEC do IBGE, adotam essa definição.

Quantos tipos de inovação existem segundo o Manual de Oslo?

Dois: inovação de produto, que abrange bens e serviços, e inovação de processo de negócios, que abrange seis funções da empresa (produção, distribuição e logística, marketing e vendas, sistemas de informação, administração e gestão, e desenvolvimento de produtos e processos). A edição de 2005 trabalhava com quatro tipos.

Uma inovação precisa ser inédita no mundo?

O requisito mínimo é que a mudança seja nova para a própria empresa. Uma empresa que adota um processo já usado por concorrentes realiza uma inovação nova para a empresa; se for a primeira do seu mercado, a inovação é nova para o mercado; se for a primeira em qualquer mercado, é nova para o mundo.

Um produto que fracassou comercialmente conta como inovação?

Conta, desde que tenha sido lançado no mercado. O Manual de Oslo exige implementação e trata o sucesso comercial como objetivo da inovação, sem exigi-lo como condição.

Mudança organizacional é inovação?

É, quando a nova prática difere significativamente das anteriores e foi colocada em uso. Na edição de 2018, mudanças em estrutura organizacional, métodos de gestão e práticas de trabalho são classificadas como inovação de processo de negócios na função de administração e gestão.

Inovação depende de pesquisa e desenvolvimento?

Depende em parte dos casos. O Manual de Oslo lista oito categorias de atividades de inovação, entre elas engenharia, design, software, treinamento e aquisição de equipamentos. A P&D, definida pelo Manual de Frascati, é uma dessas categorias.

Fontes

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