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Estratégia 27 de Outubro de 2026 · 8 min de leitura

Investimento em P&D no Brasil: panorama e comparação internacional

Quanto o país investe em pesquisa e desenvolvimento, como esse investimento evoluiu e onde o Brasil se posiciona em relação às economias que mais investem.

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Consultoria em Estratégia, Incentivos Fiscais e Financiamento da Inovação

O Brasil investiu o equivalente a 1,23% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2024, segundo a série oficial do indicador 9.5.1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que mede o dispêndio nacional em P&D em proporção do PIB. O percentual é o mais alto desde 2015, quando o país atingiu 1,28%, e corresponde a cerca de um quinto da intensidade registrada por Israel (6,0% do PIB) e a menos de um quarto da registrada pela Coreia do Sul (5,2%), as duas economias que mais investem em P&D em proporção do PIB.

O indicador soma os dispêndios do governo federal, dos governos estaduais, das instituições de ensino superior e das empresas em atividades de pesquisa e desenvolvimento, conforme as definições internacionais do Manual de Frascati, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Quanto o Brasil investe em P&D?

O dispêndio nacional em P&D oscilou entre 1,1% e 1,3% do PIB nas últimas duas décadas. A série oficial mostra crescimento até 2015, retração entre 2016 e 2017, estabilidade em torno de 1,15% e retomada recente:

  • 2024: 1,23% do PIB.
  • 2023: 1,19% do PIB.
  • 2022: 1,19% do PIB.
  • 2021: 1,13% do PIB.
  • 2020: 1,22% do PIB.
  • 2019: 1,15% do PIB.
  • 2017: 1,12% do PIB.
  • 2015: 1,28% do PIB.
  • 2010: 1,16% do PIB.
  • 2006: 0,99% do PIB.

O valor de 2020 deve ser lido com cautela, porque a retração do PIB no primeiro ano da pandemia tende a elevar a proporção mesmo com dispêndio estável. Segundo análise do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Ipea, a estabilidade de 2022 e 2023 ainda não configurava uma reversão confirmada da tendência de queda iniciada após 2015; o dado de 2024, de 1,23%, é o primeiro sinal de retomada.

Quem financia a P&D no Brasil?

O dispêndio nacional em P&D tem duas grandes fontes: o setor público, que inclui governo federal, governos estaduais e instituições públicas de pesquisa e ensino, e o setor empresarial. Entre 2020 e 2023, os dispêndios empresariais superaram os governamentais, situação que antes só havia ocorrido em 2004 e 2005, de acordo com o Ipea. Entre 2022 e 2023, o dispêndio governamental cresceu e o empresarial recuou, o que manteve o total estável em 1,19% do PIB.

Nas economias que mais investem em P&D, o setor empresarial é o principal executor e financiador da pesquisa. O Ipea registra que o Brasil ocupa a penúltima posição entre 14 países comparados em dispêndio empresarial em P&D desde 2007, o que indica que a participação das empresas é um componente central da distância em relação aos líderes.

Na indústria, os dados da PINTEC Semestral 2024, do IBGE, indicam que as empresas com 100 ou mais pessoas ocupadas investiram R$ 39,9 bilhões em P&D interno em 2024, financiados em 86% com recursos próprios. As empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas responderam por 87,4% desse valor.

Como o Brasil se compara a outros países?

A comparação internacional usa os dados consolidados pelo Instituto de Estatística da UNESCO e pela OCDE, que seguem as mesmas definições do Manual de Frascati. Dispêndio em P&D em proporção do PIB, com o ano de referência mais recente disponível:

  • Israel: 6,0% (2022).
  • Coreia do Sul: 5,2% (2022).
  • Taiwan: 4,0% (2022).
  • Estados Unidos: 3,6% (2022).
  • Japão: 3,4% (2022).
  • Alemanha: 3,1% (2022).
  • China: 2,6% (2022).
  • França: 2,2% (2022).
  • União Europeia (27 países): 2,1% (2022).
  • Brasil: 1,23% (2024).
  • Rússia: 0,9% (2022).
  • Índia: 0,6% (2020).
  • África do Sul: 0,6% (2022).
  • Argentina: 0,5% (2022).
  • Chile: 0,4% (2021).
  • México: 0,3% (2023).

Os dados internacionais são da National Science Foundation (NCSES), Science and Engineering Indicators 2025, e do Instituto de Estatística da UNESCO, compilados pelo Destatis. O dado do Brasil é da série oficial do indicador ODS 9.5.1.

Três leituras emergem da comparação:

  • Na América Latina, o Brasil lidera com folga. O país investe proporcionalmente mais que o dobro de Argentina, Chile e México.
  • Entre os grandes emergentes, a China se distanciou. A China investiu 2,58% do PIB em P&D em 2023, mais que o dobro do Brasil, e passou a figurar entre os seis maiores investidores de um grupo de 13 países comparados pelo Ipea desde 2019.
  • Em relação às economias de alta renda, a distância é estrutural. Coreia do Sul e Israel investem de quatro a cinco vezes mais que o Brasil em proporção do PIB, com predomínio do setor empresarial.

Os anos de referência variam porque cada país envia seus dados aos organismos internacionais com defasagens diferentes. Nas bases internacionais, o dado mais recente do Brasil ainda é o de 2020 (1,1%); a série nacional, atualizada até 2024, é a referência mais recente.

Quantos pesquisadores o Brasil tem?

O número de pesquisadores por milhão de habitantes é o principal indicador internacional de capital humano em P&D. Nos dados compilados pelo Anuário Estatístico das Nações Unidas a partir da UNESCO, o Brasil registra 903 pesquisadores por milhão de habitantes, valor referente a 2014, último ano informado para o país nessa base. Na mesma base, a Coreia do Sul registra 9.435 pesquisadores por milhão de habitantes (2022), a Alemanha, 5.787 (2022), e os Estados Unidos, 4.825 (2021).

A defasagem do dado brasileiro nas bases internacionais limita comparações atualizadas. O próprio Índice Global de Inovação 2026, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, aponta a formação de graduados em ciências e engenharia como uma das fragilidades do país, em que o Brasil ocupa a 101ª posição entre 139 economias.

Por que o investimento em P&D importa?

O dispêndio em P&D é o principal indicador de esforço tecnológico de um país, porque mede os recursos aplicados na geração de conhecimento novo. A literatura econômica associa a intensidade de P&D à capacidade de as empresas desenvolverem tecnologias próprias, de absorverem conhecimento externo e de competirem em setores de maior valor agregado.

O indicador tem limites conhecidos. Mede o esforço aplicado, e os resultados exigem outros indicadores; deixa de fora atividades de inovação que ocorrem sem P&D formal, como a adoção de equipamentos, o desenvolvimento de software e as mudanças organizacionais; e depende da qualidade da declaração dos dados por empresas e instituições. Por isso, costuma ser analisado junto com indicadores de resultado, como patentes, publicações científicas e taxas de inovação das empresas.

Como o dispêndio em P&D é medido?

A medição segue o Manual de Frascati, da OCDE, que define P&D como o trabalho criativo e sistemático realizado para ampliar o estoque de conhecimento e encontrar novas aplicações para ele. Para ser contabilizada como P&D, uma atividade precisa ser nova, criativa, incerta quanto ao resultado, sistemática e transferível ou reproduzível.

No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) consolida os dispêndios a partir de fontes como a execução orçamentária dos governos federal e estaduais, os dados de pós-graduação das instituições de ensino superior e os dados de P&D das empresas, obtidos de pesquisas como a PINTEC do IBGE e de registros administrativos. Os resultados são publicados na série Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Perguntas frequentes

Quanto o Brasil investe em pesquisa e desenvolvimento?

O equivalente a 1,23% do PIB em 2024, segundo a série oficial do indicador ODS 9.5.1. É o maior percentual desde 2015, quando o país investiu 1,28% do PIB.

Qual país mais investe em P&D em relação ao PIB?

Israel, com cerca de 6,0% do PIB, seguido pela Coreia do Sul, com 5,2%, segundo dados de 2022 compilados pela National Science Foundation e pelo Instituto de Estatística da UNESCO.

O Brasil investe mais em P&D que outros países da América Latina?

Investe. Com 1,23% do PIB, o Brasil aplica proporcionalmente mais que o dobro de Argentina (0,5%), Chile (0,4%) e México (0,3%), considerando os dados mais recentes disponíveis para cada país.

Quem investe mais em P&D no Brasil: governo ou empresas?

Entre 2020 e 2023, os dispêndios empresariais superaram os governamentais, segundo análise do Ipea com dados do MCTI. Mesmo assim, o investimento empresarial em P&D do Brasil está entre os mais baixos de um grupo de 14 países comparados.

Qual é a diferença entre investimento em P&D e investimento em inovação?

O investimento em P&D mede os recursos aplicados em pesquisa e desenvolvimento experimental, conforme o Manual de Frascati. O investimento em inovação é mais amplo e inclui também aquisição de máquinas, software, treinamento, design e outras atividades descritas no Manual de Oslo.

Onde encontrar os dados oficiais de P&D do Brasil?

Na série Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, do MCTI, no painel do indicador ODS 9.5.1 e, para a indústria, na Pesquisa de Inovação (PINTEC) do IBGE.

Fontes

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